Hottest Takes #177
Baleias Jubarte em New Jersey!
1) Uma amiga me chamou para experimentar uma aula de dança chamada Gaga e me animei. Fomos ao estúdio Gibney de cabeça e corpo abertos e nos divertimos! A “técnica” foi criada por Ohad Naharin, antigo diretor da companhia de dança Batsheva. Gaga é um “método inovador de linguagem de movimento que enfatiza consciência corporal, liberdade de improviso e condicionamento físico”, a ideia é “fugir de coreografias e passos rígidos alinhados através do espelho e criar, em vez disso, um espaço para exploração, risco, crescimento artístico e pessoal, conexão e diversão”.
Anotei algumas coisas que o professor falou: “engage with your groove”, traduziria como “conecte-se ao seu suíngue”; “don’t move but be available to every movement”, algo como “não se mexa, mas esteja pronto para qualquer movimento”; “go fast but not as if you were in a hurry”, algo tipo “vá rápido mas não como se estivesse com pressa”; e mais “go down but keep your energy up”, em tradução livre “vá descendo, mas mantenha sua energia pra cima”. Farra completa! Pra quem gosta de movimento e experimentação, recomendo vivamente. A aula custou US$ 22 e devia ter pelo menos umas 30 pessoas de todas as idades, tipos físicos e níveis de experiência com dança.
Achei uma aula no YouTube.
2) Ano passado tive a sorte de ver baleias na Islândia e, no mesmo dia, minha melhor amiga estava na Bahia diante da mesma espécie! Nesses últimos finais de semana, vi baleias e golfinhos pertinho de Nova York. É sempre muito emocionante. E aí minha amiga chamou minha atenção para o fato de que quando éramos crianças, não existia ver baleias assim, com tanta facilidade. E ela foi pesquisar (via Jornal da USP):
As jubartes, assim como outras espécies de baleias, foram intensamente caçadas no passado para a obtenção de carne e óleo. A maré só começou a mudar para melhor no fim dos anos 1960, quando a Comissão Internacional de Baleias (CIB), reconheceu que a espécie corria risco de extinção, determinou uma suspensão da caça às jubartes — reforçada nos anos 1980 por uma moratória global à caça de qualquer espécie de baleia, que permanece em vigor até hoje. No Brasil, mais especificamente, a caça comercial de baleias foi proibida por decreto em janeiro de 1986 e por lei, em dezembro de 1987.
Pesquisadores estimam que havia algo entre 25 mil e 30 mil jubartes em águas brasileiras no início do século 19. Essa população foi quase que exterminada pela caça, reduzida a cerca de 500 baleias no início dos anos 1950. Foi só a partir da implantação da moratória e de programas efetivos de conservação (capitaneados no Brasil pelo Projeto Baleia Jubarte) que a espécie começou a se recuperar. Em 2014 ela foi oficialmente retirada da lista nacional de espécies ameaçadas de extinção; e hoje estima-se que haja algo em torno de 20 mil jubartes circulando por essa rota migratória Brasil-Antártida — quase o mesmo número do período pré-caça.
3) Já ouviram falar do lendário arquiteto brasileiro Jaime Lerner? Outro dia, conversando com a Andrea, filha dele, ela mostrou fotos da casa onde cresceu — hoje instituto que leva o nome do urbanista. Ficamos falando sobre como morar em uma casa assim deve ter moldado a infância dela e influenciado o fato de ela ser artista. Andrea contou uma historinha que amei: seu pai entrou num apartamento para onde sua mãe decidiu se mudar e diante da pouca graça da arquitetura, ele teria dito — “esse espaço é uma falta de assunto…!”
Aqui, a casa dele:
4) Por falar em casas mágicas, adorei saber da Villa Lopez, que Jean Prouvé projetou em Sainte-Maxime:
Via Domus:
Pouca gente conhece essa casa [pré-fabricada] no litoral sul da França, que Jean Prouvé projetou como se fosse uma de suas cadeiras. Montada em 1953 a partir de uma estrutura metálica — que lembra muito a da famosa cadeira Standard, desenhada por ele e ainda produzida pela Vitra —, essa residência térrea ilustra perfeitamente o método de trabalho do arquiteto francês, que preferia ser chamado de constructeur (construtor) ou “homem de fábrica” a arquiteto.
Um módulo retangular se repete ao longo do perímetro da edificação, demarcando uma sucessão de painéis de madeira, chapa metálica e vidro. A sequência é pontuada, em alguns pontos, pela presença de pequenos círculos transparentes que perfuram o fundo metálico, criando um padrão que é uma das marcas registradas de Prouvé.
5) Acho que é preciso VPN para conseguir ouvir os podcasts da NPR no Brasil. Essa semana escutei um episódio sobre o legado da banda Grateful Dead. Além das canções em clima de jam, adorei essa frase:
“The most Grateful Dead thing you can do is be yourself”, em tradução livre: “a coisa mais Grateful Dead que você pode fazer é ser você mesmo!”
6) John Cena conversando com Amy Poehler deu a receita garantida do fracasso:
“Não seja ponta firme, seja pouco profissional, não se envolva com a causa, e não lide bem com críticas construtivas”. Difícil traduzir… nesse caso, a frase é bem melhor no original: Be unreliable, unprofessional, uninvested and uncoachable. You will fail, guaranteed.
7) Sou apaixonada por árvores. Meus filhos me perguntaram outro dia o que eu “seria” se não fosse historiadora da arte. Nem precisei pensar: certamente gostaria de ser uma expert em árvores. Por isso, amei essa notícia do NYTimes. Esse Ulmeiro (English Elm) na imagem abaixo, que ainda existe no Washington Square Park, tem 39 metros de altura e mais de 300 anos! Foi apelidado de “árvore testemunha” já que estava lá quando aconteceu a Revolução Americana:
8) Iris Murdoch em carta para Brigid Brophy:
I adore the texture of your mind.
Em tradução livre: “Adoro a textura da sua mente”
Via The Marginalian:
Talvez o mais belo, eletrizante e psicologicamente revelador de tudo tenha sido a sua correspondência com Brigid Brophy (1929 – 1995) — sua amante de longa data e amiga da vida toda. “Você é, sem dúvida, a melhor escritora de cartas que já conheci”, escreve Murdoch com entusiasmo a Brophy, “com todas as suas palavras coloridas e aquecidas por você”.
No original:
“You are certainly the best letter-writer I have ever encountered, your words all coloured and warmed by you.”
9) Summa’s ova. Acho que só morando num país de inverno longo e rigoroso a gente entende a tristeza que é o fim de um verão. Outro dia ouvi um podcast em que o entrevistado dizia que no dia 4 de julho a mãe dele já começava a falar “Summa’s ova”, versão com sotaque Brooklyn de “summer is over”, ou o verão acabou.
Quando bate agosto, a sensação já é de desespero total: os dias de calor estão perto do fim. Sempre preciso me lembrar que a partir de 15 de setembro é praticamente impossível sair de casa sem um casaco e é difícil comemorar meu aniversário (30/9) ao ar livre… E outubro já é hora de tirar a jaqueta estilo Uniqlo do armário. Socorro! O mês de julho durou 5 minutos. Estou com saudade do que não vivi. Hahaha!
10) Nessa exata vibe, segue a playlist da semana:










