Hottest Takes #173
Tarot Gardens
1) Ainda estou meio em choque depois de visitar o Jardim do Tarô (Il Giardino dei Tarocch) de Niki de Saint Phalle, em Grossetto, na Itália. São 22 esculturas monumentais, cada uma dedicada a uma carta do jogo de tarô. O jardim conecta um monumento ao outro e cria uma espécie de labirinto a céu aberto. Inspirada pelo Park Güell , de Gaudí, a artista francesa passou 20 anos construindo esse paraíso artsy onde ela também morava. Além de Gaudí, também lembrei muito da casa e do museu do Hundertwasser em Viena. Essa capacidade que alguns artistas têm de continuar brincando como se fossem crianças é radical — a sensação ao passear por lá é de estar sob efeito de alguma erva alucinógena.
Detalhe do chuveiro e da banheira dela
2) Outra experiência mágica que tive nessas férias foi a visita à exposição de Mark Rothko com Fra Angelico no museu San Marco, em Florença. O italiano pintou afrescos entre 1439 3 1443 em cada uma celas dos frades, que serviam para ajudar na meditação. Na mostra, em cartaz no momento, vemos algumas pinturas de Rothko ao lado de alguns desses afrescos. A impressão que dá é de que o americano (nascido na Letônia) absorveu ali algo divino, sublime e etéreo. O silêncio dos visitantes durante a mostra era quase total, tamanha a concentração.
Uma das salas da exposição
3) No avião de volta, assisti ao documentário sobre Jeff Buckley, “It’s Never Over”. Lembrei dos meus anos na faculdade, quando um namorado me apresentou Grace (que considero um dos discos mais perfeitos já gravados). E, por algum motivo, talvez o talento e a morte precoce, me fizeram pensar no artista Gordon Matta-Clark. Acho que os dois teriam sido bons amigos :)
4) Via revista New Yorker:
O ganhador do Prêmio Nobel László Krasznahorkai “nunca releria voluntariamente” nenhum de seus livros. Mas, quando seu amigo Béla Tarr fez filmes usando seu trabalho como inspiração, Krasznahorkai teve de ler seu texto em voz alta. “Eu começava a ler, e de repente eu via um erro chocante de ritmo, de melodia, de conteúdo, uma falha na forma, e bem, eu inevitavelmente entendia ter cometido um erro, mas não é apenas um único erro para mim, ele arruína a coisa toda. Isso me irrita tanto que tento remediar isso no livro seguinte. Minha vida inteira é apenas uma tentativa de recompensa”, disse Krasznahorkai a Merve Emre. Além de seu próprio trabalho, Krasznahorkai desfruta das “falhas decisivas” de um objeto. Ele diz que as falhas dão aos objetos um enorme valor e particularidade.
5) Essa eu li no LinkedIn hehe:
A maioria dos candidatos a um emprego chega às entrevistas com respostas prontas, “pontos fracos” ensaiados e uma lista de perguntas pesquisadas com o objetivo de impressionar. Mas Steve Jobs, da Apple, tinha um jeito muito menos convencional de decidir quem seria contratado: o “teste de cerveja”.
Em vez de tentar pegar os candidatos de surpresa com uma pergunta difícil ou questioná-los sobre o iPhone mais recente, o falecido cofundador do gigante da tecnologia de US$ 4,3 trilhões queria saber algo muito mais simples: será que eu gostaria de tomar uma cerveja com essa pessoa?
Jobs até levaria os candidatos para uma entrevista informal para testar se ele se daria bem com eles fora do escritório. O chamado “teste de cerveja” não era sobre álcool. Era para ver se um candidato poderia abandonar o jeitão corporativo por um tempo para ter uma conversa real, e ser simplesmente agradável. Jobs faria perguntas a potenciais contratados tipo: “O que você fez no verão passado?”
Não tinha resposta certa ou errada, mas não era um bom sinal se o bate-papo fosse estranho ou desgastante. Isso porque no final da saga, Jobs se perguntava: “Eu tomaria uma cerveja com essa pessoa? Eu falaria com ela/e tranquilamente durante uma caminhada?” Se a resposta fosse não, aquele currículo de nada serviria.
Como escrevo na revista Fortune, os testes de entrevista estão se tornando cada vez mais comuns e a medida nem sempre é técnica. Às vezes é simples assim: saber se seria agradável ter você por perto.
—Orianna Rosa Royle, revista Fortune
6) Terri Gross em seu podcast Fresh Air:
Torça pelo melhor, mas espere o pior.
Celine Song em entrevista ao Wild Card:
Dê as caras, preste atenção, fale do coração, não cria expectativas.
7) John O’Donohue:
I would love to live
like a river flows,
carried by the surprise
of its own unfolding.Em tradução livre:
Gostaria de viver
como flui um rio,
carregado pela surpresa
de seus próprios desdobramentos.
Van Gogh
8) Semana passada os Estados Unidos comemoraram 250 anos de independência. O jornal WSJ falou de uma das invenções menos celebradas da história do país (que se orgulha de ter inventado a lâmpada, a internet e o iPhone): a faixa branca na beira da estrada.
A linha-branca-que-salva-vidas pintada do lado direito da estrada foi criada pelo metalúrgico John V. N. Dorr em 1952. Frustrado com a baixa visibilidade noturna, ele fez campanha por uma faixa para afastar os olhos dos motoristas dos faróis que se aproximavam. A inovação acabou diminuindo as mortes no trânsito em até 37%.
Enquanto a linha central foi inventada décadas antes por Dr. June McCarroll em 1917 para evitar colisões de frente na Califórnia, a faixa branca da lateral direita transformou a segurança moderna nas rodovias mundo afora.
9) E esse vídeo com a cara de atrizes entrevistadas diante de perguntas absurdas?
10) De volta à NYC :)










Love the Nikki sculptures. What a dream to visit!
Vou focar nisso do teste da cerveja.