Hottest Takes #170
Hans Ulrich Obrist postou essa frase escrita por David Hockney, que nos deixou essa semana — um dos maiores artistas dos últimos tempos
1) O editor da revista New Yorker, David Remnick, escreveu um texto lindo sobre a vitória dos Knicks nas finais da NBA.
Nesta série, os Knicks mostraram mais maturidade e tenacidade. Eles nunca deixaram de exibir o tipo de compostura que é vital para cada volta por cima. Quando os Spurs bloquearam Brunson, ou tentaram, a bola foi para outro lugar, circulando pela quadra, de jogador para jogador, como se fosse um videogame maluco. Todo mundo, ao que parecia, teve seu momento. Eles jogaram como uma unidade. Às vezes, uma dupla no nível de Michael Jordan e Scottie Pippen, Kobe Bryant e Shaquille O'Neal, pode levar um elenco menor para um título. Este não foi o caso dos Knicks, nem nos anos setenta, nem agora. O ethos de então foi transferido para o ethos de agora. Saboreie a alegria, Nova York. Em breve, acordaremos para os cuidados comuns e as provações da vida diária; o mesmo terrível líder (que conseguiu sujar o Jogo Três no Madison Square Garden com sua arrogância e indiferença) ainda está no cargo, pelo menos por um tempo. Mas deixe essas coisas de lado por um momento. Saboreie a alegria, tão certa de perecer, ainda assim.
2) Uma das coisas mais legais que vejo acontecer ao visitar a mesma exposição várias vezes é mudar de gosto. Tantas vezes aquilo que, a princípio, eu não curti, ou abominei!, com o tempo pode ganhar meu coração, meus olhos e sala VIP no meu repertório. Já fui tão contaminada por artistas que não me tocaram de primeira, que hoje já duvido da convicção da minha própria opinião. E é uma delícia ver a nossa sólida opinião se afrouxar.
Quando assisti ao documentário sobre os críticos de arte Jerry Saltz e Roberta Smith, “The House of Criticism”, adorei a parte em que Roberta fala sobre isso. Ela até faz referência a um texto (chamado “Eu Estava Errada sobre Cecily Brown”) que escreveu sobre a artista:
Uma das obrigações de um crítico é a vontade de ser traído, às vezes brutalmente, pelo seu próprio gosto, cujos meandros você descobre ao longo de uma vida inteira de olhar. Eu poderia argumentar que Cecily Brown se tornou uma pintora melhor. Mas, na verdade, é a expansão muitas vezes misteriosa do meu próprio gosto que estamos falando aqui. Com sorte, você aprende a ver mais e mais profundamente. Peter Schjeldahl, o falecido crítico de arte do The New Yorker, colocou isso de forma mais aforística. Quando perguntado se ele já mudou suas opiniões sobre artistas, ele respondeu: “Se suas opiniões não estão mudando, você está morto”.
Cecily Brown
3) Por falar em pintura boa, a Comme des Garçons chamou Henry Taylor para estampar a nova coleção de carteiras da marca. Queremos agora:
4) Não sei se já deu pra notar, mas eu sou completamente apaixonada por Nova York. E adoro os segredinhos da cidade. Reparem que na foto abaixo (tirei pra vocês!) a placa com o número da rua é marrom desse lado e verde do outro lado da rua. Sabem por que? Quando a placa é marrom, aquele quarteirão é patrimônio histórico! Por isso, podem ver: geralmente quanto mais plaquinhas marrons, mais charmoso e preservado é o bairro. Nada contra o novo, mas vocês sabem de que tipo de arquitetura “modernosa” estou falando né?
5) Ando tão apaixonada pelo podcast da Amy Poehler, que estou escutando aos eps antigos. A conversa dela com a comediante indiana Zarna Garg é fenomenal. Anotei essa frase com a qual concordo radicalmente:
“Clarity is kindness” — algo como “clareza é gentileza.”
6) Outro dia, fiz uma visita guiada à exposição de moda do Metropolitan Museum para um grupo de sete meninas adolescentes. Para colocar as garotas para pensar, tentei ir além das roupas como traje e comecei filosofando com elas sobre a parte política de escolher um look para vestir antes de sair de casa. Recorri a Martin Heidegger e apresentei a elas algumas ideias simplificadas:
Dasein é um termo para a existência humana. Traduzido literalmente do alemão como “estar no mundo”, Heidegger usou a expressão para ignorar conceitos tradicionais como “mente”, “alma” e “sujeito”. Enfatiza que os humanos não são observadores isolados, mas seres fundamentalmente definidos por seu envolvimento ativo e prático com o mundo.
Em vez de ser um sujeito fechado dentro de um crânio observando um universo objetivo, os humanos já são sempre "lançados" em uma situação concreta (histórica, cultural e social). Heidegger argumentou que nos envolvemos com o mundo de forma prática e não teórica.
Olha a Adriana Varejão brilhando no Met!
7) Ninguém perguntou, eu sei, mas achei fraco o novo filme do Spielberg, “Disclosure Day”. Só anotei uma frase boa pra compartilhar aqui:
“Don’t be afraid of what you don’t know”, em tradução livre: não tenha medo do que você não sabe.
8) Divertido o resultado do trabalho do fotógrafo Austin Bell que, desde 2021, cataloga as quadras de basquete de Nova York:
9) Marcel Proust deu a dica:
“A verdadeira viagem de descobrimento não consiste em procurar novas paisagens e sim em ter novos olhos.”
Lygia Clark, Óculos, 1968
10) Começa esta semana o verão no hemisfério Norte. Que alegria! Estou amando o Matt Duncan e a música Juanita Bonita. Coisas boas!











