Hottest Takes #168
Kate Salke
1) Dei umas dicas de arte para quem vier aos Estados Unidos durante a Copa do Mundo:
2) Meu professor de filosofia citou o professor de filosofia dele:
Filosofia é uma faca que você enfia entre o que é e o que pode ser.
Lynette Yadom-Boakye
3) No ateliê do Odili Donald Odita, ele também falou de filosofia. Mencionou Platão:
Segundo a explicação dele, a natureza é uma cópia de Deus no mundo físico e a arte é uma cópia da natureza. Então a arte é uma cópia da cópia.
Aí, ele contou que quando alguém pedia pro Andy Warhol falar do trabalho dele, ele dizia: “perguntem pra Elaine Sturtevant”.
A Elaine fazia réplicas exatas do trabalho de Warhol (e de outros artistas). E, segundo Warhol: “nada é só uma cópia, tudo é único à sua maneira”.
4) Gente do céu! Minha viagem para a Filadélfia era para ver arte. Mas, num dos dias, levei meu grupo para o Longwood Gardens. Que lugar divino! Se visitarem a Pensilvânia, vale o detour…
Chora, Monet!
5) O artista Jasper Johns acredita na importância de investigar a própria prática artística:
Pegue um objeto. Faça algo com ele. Faça alguma outra coisa com ele. No original: Take an object. Do something to it. Do something else to it. O sentido do trabalho surge da sua transformação física.
6) Adorei esse vídeo vasculhando a mesa de um jornalista do NYTimes:
7) Tem uma expressão em inglês “hands down” que equivale ao nosso “de longe”, tipo: esse sabor é meu favorito de longe…! Aí resolvi entender a origem:
“Hands down” significa “sem dúvida” ou “definitivamente”. Ela é usada pra dizer que algo é o vencedor indiscutível ou o melhor absoluto em sua categoria.
A expressão tem origem nas corridas de cavalos do século 19. Quando um jóquei estava tão à frente que a vitória era garantida, ele podia relaxar, baixar as mãos (afrouxando as rédeas) e, ainda assim, vencer a corrida com facilidade. Com o passar do tempo, o sentido da expressão evoluiu: de significar uma vitória fácil, passou a designar qualquer coisa que seja inegavelmente a melhor.
Pintura vintage
8) O filósofo Edgar Morin acreditava que o mundo é muito complicado para ser reduzido a simples explicações. Preferia a ideia de conviver com ambiguidades, contradições e dúvidas:
Vivemos numa época de incertezas. E a incerteza não deve ser vista apenas como ameaça, mas também como oportunidade.
É preciso aprender a navegar em um oceano de incertezas através de arquipélagos de certezas.
Philip Guston
9) via tacosattire:
Rei Kawakubo nasceu em Tóquio, em 1942. Estudou literatura e história da arte na Universidade Keio, trabalhou no departamento de publicidade de uma empresa têxtil, tornou-se stylist e começou a confeccionar suas próprias roupas porque não conseguia encontrar nada que correspondesse ao que desejava vestir. Nenhuma formação formal em moda. Jamais.
Ela lançou a Comme des Garçons em 1969. Quando a marca fez sua estreia em Paris, em 1981, a imprensa francesa a classificou como “Hiroshima chic” e “pós-nuclear”. As roupas eram sombrias, volumosas, repletas de furos — completamente alheias a tudo o que acontecia na moda da época. Suas seguidoras no Japão eram chamadas de “corvos”, devido aos conjuntos totalmente pretos que preferiam usar. Ninguém sabia o que fazer com ela. Ela não se importava.
Ela nunca desenhou sapatos de salto agulha. Nunca criou roupas para seduzir. Seu marido e CEO da Comme des Garçons, Adrian Joffe, disse certa vez: “Se todos viessem, vissem a beleza daquilo e se sentissem maravilhosos, seria o fim. Se todos achassem aquilo belo, seria o momento de Rei parar”. Ela não fala inglês. Joffe traduz tudo para ela. Eles se casaram em Paris, em 1992. Ela trabalhou com Yohji Yamamoto, Martin Margiela, Helmut Lang e Ann Demeulemeester — todos a citaram como uma influência direta. Jean-Paul Gaultier a descreveu como uma mulher de “coragem extrema” e “espírito poético”. Ela criou o Dover Street Market. É uma das únicas duas designers vivas a ter uma exposição retrospectiva no Metropolitan Museum of Art. O outro foi Yves Saint Laurent.
Ela tem 83 anos. Continua criando. Continua deixando as pessoas desconfortáveis. Continua sendo a mente mais radical da moda.
10) Depois do mais longo dos invernos, passei o fim de semana na praia e foi só alegria. Fiz a playlist pra ouvir enquanto cochilava na areia, ao sol :)










Gostei muito da visão do Odita. Me fez lembrar do "A Origem da Obra de Arte", do Heidegger, em que ele fala sobre o "embate" entre Mundo e Terra.
Rip Morin. Essa fala das incertezas, me fez pensar na fala budista: Graças a impermanência tudo é possível.