Hottest Takes #166
David Hockney em sua casa
1) Na contramão de Timothée Chalamet, fui assistir a uma ópera. Composta por Samuel Barber e Gian Carlo Menotti nos anos 50, “Vanessa” venceu o Pulitzer na época. Ao lado de sua sobrinha e de sua mãe, Vanessa aguarda há anos a chegada de seu amado. Quando ele reaparece, de um jeito bem diferente do esperado, a família entra num turbilhão psicológico com jeito de tragédia grega. A certa altura, todos os personagens cantam juntos o seguinte trecho:
To leave, to break, to find, to keep,
to stay, to wait, to hope, to dream,
to weep and remember.
To love is all of this—
and none of it is love.
Em tradução livre:Partir, romper, encontrar, guardar,
ficar, esperar, ter esperança, sonhar,
chorar e lembrar.
Amar é tudo isso —
e nada disso é amor.
Em cartaz no Baruch College até 31/5
2) Liana Ferraz:
Não sou sua, mas quando sou, sou inteira.
E se você tiver esse gostinho, esse pedacinho, todo esse pequeno infinito, aproveita, amor, que eu sei chegar, mas sei partir.
Que eu apaixono e desapaixono com velocidades vertiginosas... que eu olho pra lua cheia e saio pedindo beijos e encaixes.
Que eu gosto de andar solta, por aí, mas... quando eu estou.... (ah, quando eu estou...) só sei dos incêndios e deixo queimar.
Lisa Yuskavage
3) David Hockney:
Quando você faz um desenho de observação, você também está desenhando a partir da memória. A memória de 5 segundos atrás, a memória de 10 segundos atrás, a memória de um minuto atrás.
Harry Styles por David Hockney
4) Ron Padgett:
Nunca Se Sabe
1) O que pode acontecer.
2) Como vão comportar-se as pessoas.
3) Oh, o que quer que seja.
Matisse
5) Novidadona no mundo das artes nova iorquinas. Semana passada anunciaram que o Metropolitan Museum vai se fundir com a Neue Galerie:
Com planos de abertura em 2028, para coincidir com o aniversário de 25 anos da Neue, o acordo reúne a coleção de arte austríaca e alemã do século 20 mais importante fora da Europa sob uma única instituição.
A coleção da Neue Galerie apresenta obras icônicas de Gustav Klimt — incluindo o célebre “Retrato de Adele Bloch-Bauer I” — e de Egon Schiele, Oskar Kokoschka, Ernst Ludwig Kirchner, Max Beckmann, Gabriele Münter, Josef Hoffmann, entre outros.
Portrait of Adele Bloch-Bauer I de Gustav Klimt
6) Achei muito divertida essa bobagem: criar tatuagens temporárias com a foto de alguém querido. Pensei em surpreender algum amigo no dia da festa de aniversário distribuindo a tatu para os convidados. A marca chama Ink Bond:
7) Adoro o “Subway Takes” do Kareem Rahma. Ele começa todo episódio perguntando pro convidado no metrô: “E aí, qual seu take?”
No metrô de Nova York, falando em um microfone escondido por um MetroCard (hoje obsoleto), ele faz essa pergunta a uma variedade de convidados — desde nova-iorquinos comuns até celebridades promovendo seus projetos mais recentes. E as respostas variam de opiniões mornas a declarações extremamente controversas, daquelas que incitam debates acalorados nos comentários:
“Gatos são melhores que cachorros.”
“Deveria haver uma seção exclusiva para crianças nos voos.”
“A natureza é entediante.”
“Não existe essa coisa de ‘Beatle favorito’.” (Essa foi de Ethan Hawke.)
Alguns dos outros personagens que destacamos em nossas reportagens desta semana compartilharam suas próprias opiniões sobre tendências de alimentação e bem-estar. É o caso de Carson Gillaspia, criador de conteúdo que produz vídeos sobre o “boy kibble” — um prato feito de carne moída refogada, arroz e, basicamente, qualquer outro ingrediente que se tenha à mão —, que tem circulado bastante no TikTok. “Não vou ganhar uma estrela Michelin com isso, mas vai me alimentar, é saudável e consigo preparar cinco refeições diferentes com essa base”, disse ele, acrescentando que consegue “se virar gastando apenas 100 dólares por semana no supermercado”.
8) Recomendo vivamente a conversa de Ezra Klein com Pema Schodrom. Gosto do conceito de que dor é o que sentimos quando não aceitamos alguma mudança:
9) Bob Dylan:
Algumas pessoas sentem a chuva. Outras apenas se molham.
10) Não sei se é o pólen da primavera, mas sinto um cansaço nessa época do ano que parece ser uma exaustão por excesso de estímulo visual. Depois de ficar na toca durante o inverno, a primavera exige da gente muita presença e disposição. Por isso, apesar de animada, minha playlist da semana se chama siesta:









